30.10.09

Que ganhe a melhor equipa!

O Benfica tem amanhã o primeiro grande teste desta época. A equipa já foi colocada várias vezes à prova e em todas essas ocasiões superou as melhores expectativas, porém, os acontecimentos da última semana antecipam dificuldades acrescidas. Os obstáculos estão bem identificados:

1. A falta de vergonha de alguma comunicação social e, sobretudo, de certos agentes desportivos parece não ter limites – roça o ridículo a estratégia torpe de Nacional e Sp. Braga que visa desvalorizar o valor e percurso da equipa do Benfica e, principalmente, desviar as atenções para a actual incapacidade desportiva do FC Porto (e dos erros de arbitragem que o favorecem). Esta intoxicação da opinião pública tem construído falsas ideias – tal como aconteceu noutras eras e, mais recentemente, em 2004/2005, época em que, com todo o mérito e justiça, o Benfica se sagrou campeão nacional –, baseadas num suposto favorecimento das equipas de arbitragem. A primeira tentativa de virar a lógica do avesso aconteceu na passada jornada: Vasco Santos tentou, beneficiando da capa montada pelos supracitados; a inequívoca superioridade do Benfica retirou-lhe, apesar de tudo, qualquer margem de manobra.

2. A nomeação de Jorge Sousa (AF Porto) não augura nada de bom. Os dados são objectivos: aqui e aqui (só para deixar um exemplo). É esta a segunda tentativa de fazer aproximar (ou de não deixar afastar?) o FC Porto da liderança. O Benfica terá de jogar ao nível a que nos tem habituado, conseguindo, tal como já o fez neste campeonato, impedir que a acção do trio de arbitragem tome conta dos acontecimentos. Haverá foras-de-jogo (mal e não assinalados), faltas (marcadas e por marcar) e outros critérios técnicos e disciplinares que colocarão o Benfica e os seus jogadores em sentido. Teremos de contar com tudo isto e muito mais. E teremos de provar, dentro do campo, que desta vez temos argumentos suficientes para derrubar as armadilhadas e os obstáculos criados há mais de três décadas.

3. A motivação do Sp. Braga transcende a qualidade e a ambição particular. Sabemos que António Salvador e Domingos Paciência, cientes da inaptidão para manter a liderança, pretendem corresponder ao apoio (ao colo?) que lhes garante a presença no topo do futebol português. Acólito de Pinto da Costa, inimigo de Luís Filipe Vieira, Salvador já se prestou a tamanhos papéis, como travando as transferências de Jorge Jesus, César Peixoto – impedindo, ao que consta, o regresso de João Pereira à Luz e ao clube do seu coração (que viria colmatar a vaga deixada em aberto pela saída Patric) – ou efectuando declarações contra tudo o que é encarnado. Salvador e Domingos têm uma missão definidia e, com recurso as "ferramentas" que o sistema lhes confere, tudo farão para a cumprir – mais pelo clube por que torcem; muito menos pelo Sp. Braga.

Somando todas as circunstâncias, termino (re)afirmando total confiança na conquista dos três pontos e da liderança isolada da Liga portuguesa. Este é o primeiro de um ciclo de jogos que inclui a deslocação a Alvalade e a recepção ao FC Porto. A meta é vencer, sempre, e de preferência de goleada. O Benfica está pronto!

29.10.09

Benfica 2009/2010

Desde que me conheço (conscientemente), carrego dentro de mim uma paixão irracional e dolorosa pelo Benfica – como são todos os grandes amores; um sentimento inexprimível por palavras ou gestos, que já me fez chorar de alegria e tristeza. A grandeza do Benfica, em Portugal e pelo Mundo inteiro, invade-nos o corpo e a alma, de forma incomparável. Por motivos óbvios, desejei, por incontáveis ocasiões, poder abdicar do presente e do futuro e mergulhar nas décadas de 1960 e 1970, onde qualquer ditadura seria, certamente, preferível ou um mal menor. Os anos passaram negros (ou azuis?), reféns das mentiras e injustiças, dentro e fora do campo, que nos empurraram para um realidade que nunca foi, nem será nossa. O Benfica 2009/2010 confundiu todas estas sensações, do desgosto ao medo. A equipa de Jorge Jesus é a mais perfeita 'analogia do futebol' que conheço ou me recordo: técnica e raça; golos e vitórias; qualidade individual e colectiva; juventude e experiência. O Benfica de hoje é o Benfica aguardado, o Benfica sonhado ao longo de quase três décadas. Já não é negócio, nem refém de outros clubes ou sistemas. É único e uno – dentro e fora das quatro linhas, na relva, nas bancadas ou no gabinete. Os melhores jogadores (em todos os sectores) justificam tudo, sem deixar margem de dúvida a quem queira ver, com querer e saber. Seremos campeões, naturalmente. E ainda outras coisas mais. Escrevo este texto às 02H00 de 29 de Outubro, entusiasmado por vitórias de goleada e pelo 1.º lugar no campeonato. Espero que estas linhas mantenham, durante os próximos meses, anos, até eu partir deste Mundo, toda a sua actualidade.

Amor

autor: Guilherme Cabral