29.10.09

Benfica 2009/2010

Desde que me conheço (conscientemente), carrego dentro de mim uma paixão irracional e dolorosa pelo Benfica – como são todos os grandes amores; um sentimento inexprimível por palavras ou gestos, que já me fez chorar de alegria e tristeza. A grandeza do Benfica, em Portugal e pelo Mundo inteiro, invade-nos o corpo e a alma, de forma incomparável. Por motivos óbvios, desejei, por incontáveis ocasiões, poder abdicar do presente e do futuro e mergulhar nas décadas de 1960 e 1970, onde qualquer ditadura seria, certamente, preferível ou um mal menor. Os anos passaram negros (ou azuis?), reféns das mentiras e injustiças, dentro e fora do campo, que nos empurraram para um realidade que nunca foi, nem será nossa. O Benfica 2009/2010 confundiu todas estas sensações, do desgosto ao medo. A equipa de Jorge Jesus é a mais perfeita 'analogia do futebol' que conheço ou me recordo: técnica e raça; golos e vitórias; qualidade individual e colectiva; juventude e experiência. O Benfica de hoje é o Benfica aguardado, o Benfica sonhado ao longo de quase três décadas. Já não é negócio, nem refém de outros clubes ou sistemas. É único e uno – dentro e fora das quatro linhas, na relva, nas bancadas ou no gabinete. Os melhores jogadores (em todos os sectores) justificam tudo, sem deixar margem de dúvida a quem queira ver, com querer e saber. Seremos campeões, naturalmente. E ainda outras coisas mais. Escrevo este texto às 02H00 de 29 de Outubro, entusiasmado por vitórias de goleada e pelo 1.º lugar no campeonato. Espero que estas linhas mantenham, durante os próximos meses, anos, até eu partir deste Mundo, toda a sua actualidade.

Sem comentários:

Enviar um comentário